O que é peri-implantite? Entenda os principais sinais, causas, fatores de risco e como prevenir a inflamação e a perda óssea ao redor do implante.
A peri-implantite é uma doença inflamatória que afeta os tecidos ao redor de um implante dentário e pode provocar perda progressiva do osso que dá suporte ao implante. A condição está relacionada principalmente ao acúmulo de biofilme bacteriano e pode apresentar sinais como sangramento, inflamação, aumento da profundidade de sondagem e, em alguns casos, presença de pus. Essas características são descritas pelo consenso do World Workshop on the Classification of Periodontal and Peri-Implant Diseases and Conditions. consenso científico sobre doenças peri-implantares — American Academy of Periodontology/Wiley
Embora o implante seja desenvolvido para substituir um dente perdido, ele também precisa de cuidados contínuos. Ter um implante não significa que a região esteja livre de doenças, por isso a higiene bucal e o acompanhamento odontológico continuam sendo importantes.

O que é peri-implantite e como ela se desenvolve?
A peri-implantite é uma condição inflamatória associada ao biofilme que ocorre nos tecidos que ficam ao redor de um implante dentário. Diferentemente da mucosite peri-implantar, que envolve inflamação dos tecidos moles sem perda óssea progressiva, a peri-implantite está associada à perda do osso de suporte.
O processo geralmente começa com o acúmulo de placa bacteriana na região do implante. Quando o controle do biofilme não é adequado, pode ocorrer uma reação inflamatória nos tecidos ao redor do implante.
Peri-implantite x mucosite peri-implantar
É importante não confundir as duas condições.
A mucosite peri-implantar é caracterizada principalmente pela presença de inflamação nos tecidos moles ao redor do implante, podendo ocorrer sangramento à sondagem. Nesse estágio, não há evidência de perda óssea além das alterações iniciais esperadas após a instalação do implante.
Já na peri-implantite, além dos sinais de inflamação, existe perda óssea progressiva ao redor do implante.
Essa diferença é importante porque a identificação precoce da inflamação pode permitir que o problema seja controlado antes que evolua para uma situação mais complexa.
Você pode ler mais sobre a peri-implantite no European Federation of Periodontology.
Quais são os sinais de peri-implantite?
Nem sempre a peri-implantite provoca dor, e isso pode fazer com que o paciente demore para procurar atendimento. Por isso, alterações aparentemente pequenas na região do implante também merecem avaliação profissional.
Entre os sinais que podem estar presentes estão:
- Sangramento durante a escovação ou à sondagem odontológica;
- Vermelhidão ou inflamação da gengiva ao redor do implante;
- Inchaço;
- Presença de secreção ou pus;
- Aumento da profundidade de sondagem;
- Retração da mucosa ao redor do implante;
- Perda óssea identificada em exames radiográficos;
- Em casos mais avançados, comprometimento da estabilidade do implante.
O consenso internacional sobre doenças peri-implantares considera a presença de sangramento e/ou supuração à sondagem, aumento da profundidade de sondagem e perda óssea além das alterações iniciais de remodelação como critérios importantes para o diagnóstico.
Implante dentário com sangramento é normal?
O sangramento ao redor de um implante não deve ser ignorado. Ele pode estar relacionado a uma inflamação dos tecidos peri-implantares, embora somente o exame clínico possa determinar a causa.
A European Federation of Periodontology recomenda acompanhamento periódico dos tecidos ao redor dos implantes justamente para identificar sinais de inflamação e possíveis alterações ósseas.
Quais são as principais causas e fatores de risco?
A presença de biofilme bacteriano é um dos principais fatores relacionados ao desenvolvimento da peri-implantite. O consenso do World Workshop aponta a placa bacteriana como fator etiológico importante nas doenças peri-implantares.
Entretanto, a ocorrência da doença não depende de apenas um fator. O risco pode ser influenciado por características individuais, histórico periodontal, hábitos e qualidade da manutenção do implante.
Higiene bucal inadequada
A dificuldade de remover a placa bacteriana ao redor do implante pode favorecer a inflamação dos tecidos peri-implantares.
Por isso, a higiene deve incluir não apenas os dentes naturais, mas também as regiões próximas às próteses sobre implantes. A EFP destaca que a boa higiene bucal em casa é uma das principais medidas de prevenção das doenças peri-implantares.
Histórico de periodontite
Pessoas que já tiveram periodontite precisam de atenção especial após a instalação de implantes.
Segundo a European Federation of Periodontology, pacientes com histórico de periodontite apresentam maior necessidade de acompanhamento para identificar sinais de inflamação e perda óssea ao redor dos implantes.
Isso acontece porque o tratamento da doença periodontal não termina simplesmente com a colocação de um implante. O controle da saúde periodontal continua sendo parte importante da manutenção da saúde bucal. Entenda mais sobre a periodontite lendo o artigo.
Falta de manutenção profissional
Mesmo quando o paciente realiza uma boa higiene em casa, o acompanhamento profissional continua sendo necessário.
A EFP recomenda um programa individualizado de cuidados peri-implantares após a instalação e colocação da prótese em função, com avaliações periódicas da saúde dos tecidos ao redor dos implantes.
Tabagismo
O tabagismo também é considerado um fator que pode aumentar o risco de problemas relacionados aos tecidos peri-implantares.
A European Federation of Periodontology recomenda evitar o cigarro como uma das medidas para prevenir doenças ao redor dos implantes.
Para saber mais sobre o tabagismo e seus ricos na saúde bucal você também pode estar lendo o Artigo sobre tabagismo no nosso blog clicando aqui.
Como é feito o diagnóstico da peri-implantite?
O diagnóstico não deve ser feito apenas pela aparência da gengiva ou pela presença de dor.
Durante a avaliação, o dentista pode verificar os tecidos ao redor do implante, realizar sondagem peri-implantar, observar sangramento ou supuração e comparar a profundidade de sondagem com avaliações anteriores.
Também podem ser necessários exames radiográficos para avaliar alterações no nível ósseo.
De acordo com o consenso internacional, quando não existem registros anteriores para comparação, a combinação de sangramento ou supuração à sondagem, profundidade de sondagem de pelo menos 6 mm e nível ósseo localizado pelo menos 3 mm abaixo da porção mais coronal da parte intraóssea do implante pode ser compatível com o diagnóstico de peri-implantite.
Isso não significa que o paciente consiga diagnosticar a doença sozinho. Esses parâmetros precisam ser interpretados por um profissional, considerando o histórico clínico, os exames e as características do implante.
O raio-X consegue mostrar a peri-implantite?
O exame radiográfico pode ajudar o dentista a avaliar alterações no nível ósseo ao redor do implante.
Por isso, exames de acompanhamento podem ser importantes para comparar a situação atual com registros anteriores. A EFP destaca a importância da avaliação periódica dos implantes e menciona o uso de radiografias no acompanhamento de possíveis alterações ósseas.
Como tratar a peri-implantite?
O tratamento depende da gravidade da doença, da quantidade de perda óssea, das características do implante e da possibilidade de controlar os fatores que contribuem para a inflamação.
As recomendações atuais da European Federation of Periodontology indicam uma abordagem estruturada, começando pelo controle dos fatores de risco e pela melhoria da higiene bucal, seguida de tratamento profissional e reavaliação. Dependendo da resposta ao tratamento e da situação clínica, pode ser necessário tratamento cirúrgico.
Muitas vezes não é possível tratar a peri-implantite, que o melhor tratamento é prevenir. Até hoje não há tratamento ideal para peri-implantite.
Tratamento não cirúrgico
Em muitos casos, a primeira etapa envolve medidas para reduzir o biofilme e controlar a inflamação.
Entre as estratégias recomendadas pela diretriz da EFP estão:
- Orientação e motivação para higiene bucal;
- Controle de fatores de risco;
- Avaliação e adequação da prótese quando necessário;
- Remoção profissional dos depósitos presentes;
- Instrumentação supra e subgengival;
- Tratamento periodontal associado quando indicado.
Após essa etapa, o paciente deve ser reavaliado para verificar a resposta dos tecidos ao tratamento.

Quando pode ser necessário tratamento cirúrgico?
Em determinadas situações, principalmente quando existe perda óssea significativa ou quando a inflamação permanece após a abordagem inicial, o profissional pode considerar uma intervenção cirúrgica.
A diretriz da EFP ressalta que o tratamento cirúrgico da peri-implantite é complexo e deve ser realizado por profissionais com treinamento específico.
Dependendo do caso, podem ser consideradas diferentes abordagens, como procedimentos para acesso à área afetada, tratamento dos defeitos ósseos e outras técnicas escolhidas de acordo com a condição clínica.
O tratamento não é igual para todos os pacientes. A escolha depende do diagnóstico e da avaliação individual.
É possível prevenir a peri-implantite?
Sim. Embora nenhum cuidado possa garantir que uma doença nunca aconteça, existem medidas que ajudam a reduzir o risco de doenças peri-implantares e favorecem a manutenção da saúde dos tecidos.
A prevenção começa antes mesmo da instalação do implante, com avaliação adequada da saúde bucal e controle das doenças existentes. A diretriz da EFP recomenda que a prevenção seja considerada desde o planejamento do tratamento e continue durante a manutenção do implante.
Entre os principais cuidados estão:
1. Manter uma boa higiene bucal
A limpeza diária é fundamental para controlar o biofilme ao redor dos dentes e implantes.
2. Fazer acompanhamento odontológico
Consultas periódicas permitem identificar alterações que podem não causar sintomas no início.
3. Tratar a periodontite
Quem possui histórico de doença periodontal deve receber acompanhamento cuidadoso após a instalação de implantes.
4. Evitar o tabagismo
O abandono do cigarro é uma medida importante para reduzir fatores associados às doenças peri-implantares.
5. Seguir as orientações para limpeza da prótese
A prótese sobre implante precisa permitir uma higiene adequada. Quando existem áreas de difícil acesso, o dentista pode avaliar a necessidade de ajustes.
Perguntas frequentes sobre peri-implantite
1. A peri-implantite pode fazer o implante cair?
Pode comprometer o suporte do implante. Como a doença está associada à perda progressiva do osso ao redor do implante, casos avançados podem comprometer sua estabilidade. Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoce são importantes.
2. Peri-implantite dói?
Nem sempre. A ausência de dor não significa que os tecidos ao redor do implante estejam saudáveis. Sangramento, inflamação, secreção e alterações identificadas durante a avaliação odontológica também podem indicar problemas.
3. Quem tem implante precisa ir ao dentista regularmente?
Sim. A manutenção profissional é importante para acompanhar a saúde dos tecidos ao redor dos implantes e identificar possíveis alterações precocemente. A EFP recomenda programas de cuidados peri-implantares individualizados e avaliações periódicas.
4. É possível tratar a peri-implantite sem retirar o implante?
Em muitos casos, o objetivo inicial é tratar a doença buscando manter o implante, desde que isso seja clinicamente viável. As diretrizes da EFP recomendam iniciar o tratamento com uma abordagem não cirúrgica e realizar uma reavaliação antes de considerar etapas adicionais.
Conclusão
O que é peri-implantite? É uma doença inflamatória que afeta os tecidos ao redor do implante e está associada à perda progressiva do osso de suporte. Embora possa ser tratada, a melhor estratégia continua sendo a prevenção, com higiene bucal adequada, controle dos fatores de risco e acompanhamento profissional periódico.
Sangramento, inchaço, secreção ou qualquer alteração na região do implante devem ser avaliados por um dentista. Quanto mais cedo uma alteração for identificada, mais rapidamente o profissional poderá definir a conduta adequada.
Se você possui implantes dentários e percebeu algum sinal diferente na região, agende uma avaliação odontológica com a Odontologia Hayacibara. Cuidar dos tecidos ao redor do implante é também cuidar da longevidade do seu tratamento.
Fontes científicas e institucionais
- Berglundh T. et al. Peri-implant diseases and conditions: Consensus report of workgroup 4 of the 2017 World Workshop on the Classification of Periodontal and Peri-Implant Diseases and Conditions. Journal of Periodontology, 2018. urlConsultar artigo científico — Wiley/Journal of Periodontologyhttps://aap.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/JPER.17-0739
- Herrera D. et al. Prevention and treatment of peri-implant diseases — The EFP S3 level clinical practice guideline. Journal of Clinical Periodontology, 2023. urlDiretriz clínica da EFP sobre doenças peri-implantareshttps://www.efp.org/education/continuing-education/clinical-guidelines/guideline-on-treatment-of-peri-implant-diseases/
- European Federation of Periodontology. Peri-implant disease: Prevention. urlOrientações da EFP para pacienteshttps://www.efp.org/for-patients/dental-implants/peri-implant-disease-prevention/
- European Federation of Periodontology. Peri-implant disease: Treatment. urlTratamento das doenças peri-implantares — EFPhttps://www.efp.org/for-patients/dental-implants/peri-implant-disease-treatment/